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Comunidade do Orkut
Quarta - 22 de Fevereiro de 2012

João Oscar Bergstron, presidente da ASPACER

Depois de anos de crescimento, as indústrias do polo ceramista de Santa Gertrudes, o maior polo produtor de revestimentos cerâmicos das Américas, foi atingida em cheio pela crise econômica. Das 36 indústrias do polo, quatro já deixaram de funcionar e dezenas de linhas de produção estão paralisadas.

 

A queda na procura por materiais de construção e o aumento do preço do gás natural, o principal insumo do setor, foram as grandes causas da retração. Para evitar que a crise se transforme em recessão, o Governo Federal vem adotando medidas corajosas de renúncia fiscal em alguns setores da economia. Uma das medidas que teve maior impacto na retomada das vendas foi a redução temporária do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), incidente sobre veículos novos e caminhões.

 

É uma medida polêmica, mas necessária, considerando-se que a cadeia automotiva responde hoje por 23% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. Já em relação ao setor de construção civil, que é responsável por 15% do PIB e pelo emprego de centenas de milhares de trabalhadores, o governo relutou, mas acabou estendendo a redução do IPI para alguns itens. 

 

Assim, o cimento, por exemplo, teve a alíquota reduzida de 4% para 0%; as ferragens, tintas e vernizes, argamassa e concreto, entre outros, de 10% para 5%. O Governo Federal também lançou o projeto Minha Casa, Minha Vida, que prevê a construção de um milhão de moradias populares, com a ampliação e facilitação do crédito para construir. É um plano ousado para atacar de frente o vergonhoso déficit habitacional do país, que atinge mais de 90% das famílias de baixa renda e que vem crescendo ano a ano.

 

De quebra, o projeto deve gerar 500 mil empregos diretos. A implantação do Minha Casa, Minha Vida e a redução do IPI poderão ajudar a construção civil a voltar a crescer, quem sabe já neste ano. Tudo isso, é claro, vai ajudar a indústria ceramista. Mas ainda é insuficiente; pelo menos, se quisermos voltar a crescer no ritmo dos últimos anos, quando nos destacamos inclusive no cenário internacional. Esperamos que o Governo Federal tenha em conta a importância de outros setores, como o dos revestimentos cerâmicos, para a retomada do crescimento econômico e, acima de tudo, para a geração de emprego e renda. Por isso, reivindicamos para esse setor a extensão de medidas de incentivo fiscal, como a redução de IPI.

 

Todos nós conhecemos a importância econômica da indústria ceramista: ela responde, por exemplo, por 57% de todo piso e revestimento produzido no país e pelo consumo de 80% do gás natural empregado no Estado de São Paulo. Mais importante ainda, essa indústria emprega mais de 200 mil trabalhadores diretos e indiretos. No polo estão mais de 80%. Suas famílias não podem ficar à mercê da incerteza destes tempos difíceis.

 

(*) João Carlos Vitte é prefeito de Santa Gertrudes. João Oscar Bergstron Neto é presidente da Aspacer (Associação Paulista das Cerâmicas de Revestimento)

Tatiani Longo 

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